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'Et milites plectentes coronam de spinis, imposuerunt capiti eius' - E os soldados tecendo de espinhos uma coroa, lha puseram sobre a cabeça.' (João 19, 2)


Os milagres da Coroa de Espinhos de Jesus Cristo

n/d

Desconhecida por grande parte das pessoas, a Santa Coroa é um dos tesouros mais valiosos do cristianismo. Guardada até bem pouco tempo na Catedral de Notre Dame, em Paris, por pouco ela não foi destruída pelo incêndio que atingiu a catedral em 15-04-2019. A Santa Coroa se trata de um conjunto de fragmentos de uma coroa de espinhos que foi usada pelos romanos para torturar Jesus Cristo antes de Sua crucificação.

São João assim se referiu: “E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça”. Segundo tradição, essa relíquia foi recolhida pelos Seus discípulos depois da Paixão e conservada no monte Sion, em Jerusalém, até o ano de 1063. Mais tarde foi transferida para Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, e guardada pelos imperadores bizantinos. No ano de 1239, coube ao rei São Luís IX, da França, a glória de adquirir do Imperador de Bizâncio essa relíquia inestimável. Para albergar tão precioso tesouro, o forte rei, cheio de fé, mandou construir a mais bela joia arquitetônica de estilo gótico existente no mundo: a Sainte Chapelle de Paris.

 

'Os bárbaros algozes ainda não contentes com a horrenda carnificina feita no corpo sacrossanto de Jesus Cristo com a flagelação, instigados pelos demônios e pelos judeus, querendo tratá-Lo de rei de comédia, Lhe põem aos ombros um farrapo de um vestido vermelho, à guisa de manto real; uma cana verde na mão à guisa de cetro, e na cabeça um feixe de espinhos entrelaçados em forma de coroa. E para que esta coroa não só Lhe servisse de ludibrio, mas também Lhe causasse grande dor, foi feita, na opinião comum dos escritores, em forma de capacete ou chapéu, de sorte que cobria toda a cabeça do Senhor, descia até sobre a testa.

Além disso, colhe-se do Evangelho de São Mateus, que os algozes com a mesma cana batiam nos espinhos compridos, a fim de entrarem mais dentro na cabeça. Com efeito, no dizer de São Pedro Damião, chegaram a penetrar até ao cérebro: spinae cerebrum perforantes. Se um só espinho encravado no pé de um leão o faz ressoar toda a floresta com seus dolorosos gemidos, imagina quão acerba deve ter sido a dor de Jesus Cristo que teve toda a sagrada cabeça perfurada, a parte mais sensível do corpo humano, ao qual se reúnem todos os nervos e sensações.

Tão atroz tormento não foi para Jesus de curta duração; bem ao contrário, foi o mais longo da sua Paixão, porquanto durou até à sua morte. Visto que os espinhos ficavam encravados na cabeça, todas as vezes que lhe tocavam na coroa ou na cabeça, sempre se lhe renovavam as dores. E o Cordeiro manso deixou-se atormentar à vontade dos algozes, sem proferir uma só palavra. ― Era tão grande a abundância de sangue que corria das feridas, que Lhe cobria o rosto, ensopava os cabelos e a barba, e Lhe enchia os olhos. São Boaventura chega a dizer que não era já o belo rosto de Senhor que se via, mas o rosto de um homem esfolado. Eis aí, exclama o Bem-aventurado Dionísio Cartusiano, como quis ser tratado o Filho de Deus, para obter para nós a coroa de glória no céu.

Maledicta terra in opere tuo… spinas et tribulos germinabit tibi(1) ― “A terra será maldita na tua obra… ela te produzirá espinhos e abrolhos”. Esta maldição foi lançada por Deus contra Adão e toda a sua descendência; pois que pela terra, não se entende tão somente a terra material, senão também a natureza humana, que estando infectada pelo pecado de Adão, não produz senão espinhos de culpas. ― Para cura desta infecção, diz Tertuliano, foi mister que Jesus Cristo oferecesse a Deus o sacrifício do seu longo tormento da coroação de espinhos. Por isso Santo Agostinho não hesita em dizer que os espinhos não foram senão instrumentos inocentes; mas que os espinhos criminosos, que propriamente atormentaram a cabeça de Jesus Cristo, foram os nossos pecados, e em particular, os nossos maus pensamentos: Spinae quid nisi peccatores? É isso exatamente o que Jesus Cristo mesmo deu a entender, quando apareceu certa vez a Santa Teresa, coroado de espinhos. Quando a Santa Lhe testemunhava a sua compaixão, disse-lhe o Senhor: “Teresa, não te compadeças de mim pelas feridas que me abriram os espinhos dos judeus, mas antes pelas que me causam os pecados dos cristãos” ― Ó minha alma, tu também atormentaste então a cabeça de teu Redentor com o teu freqüente consentimento no pecado. Por piedade! Abre ao menos agora os olhos, vê e chora amargamente o grande mal que fizeste.

Ah, meu Jesus, Vós não tínheis merecido ser tratado por mim como Vos tenho tratado. Reconheço a minha ingratidão; arrependo-me de todo o meu coração. Peço-Vos que não somente me perdoeis, mas que me deis tão grande dor, que durante a minha vida toda continue a chorar as injúrias que Vos fiz. Sim, Jesus meu, perdoai-me, visto que Vos quero amar sempre e sobre todas as coisas. “E Vós, ó Eterno Pai, concedei-me que, venerando na terra, em memória da Paixão de Jesus Cristo, a sua coroa de espinhos, mereça ser um dia por Ele coroado no céu com uma coroa de glória e honra” (2). Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e de Maria, sua Mãe. (*I 570.)'

1. Gen. 3, 17.
2. Or. festi curr.
(Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I – Santo Afonso)

 

A relíquia podia ser parcialmente venerada às sextas-feiras do ano e, mais detidamente, na Sexta-Feira Santa na Catedral de Notre Dame. Protegida por fino anel de cristal, ela se encontrava sob a custódia dos Cavaleiros do Santo Sepulcro de Jerusalém. Quando irrompeu o pavoroso incêndio na catedral, muitos católicos se perguntaram: “O que acontecerá com o Santíssimo Sacramento e as sagradas relíquias veneradas na catedral?” Para o capelão-mor do Corpo de Bombeiros de Paris, o Pe. Jean-Marie Fournier, era preciso salvá-las! Assim foi ele com os bombeiros ao interior da catedral em chamas, com risco de perder a vida, a fim de tentar livrar do fogo o Santíssimo e a Sagrada Coroa de Espinhos. De acordo com a imprensa francesa, o padre insistiu para ser autorizado a entrar na catedral com os bombeiros durante as operações. Fournier conseguiu autorização para entrar no edifício e acabou por salvar a coroa de espinhos e o Santíssimo Sacramento.

 

‘Sinais de milagres’ após o incêndio na Catedral de Notre Dame

 

O deão de Notre Dame, Patrick Chauvet, considera que há "muitos sinais de milagres" no que se salvou da estrutura e dos itens da catedral, após o incêndio ocorrido em 15-04-2019.

Em entrevista publicada pelo jornal "Le Parisien", Chauvet afirma que "em primeiro lugar a Virgem não foi afetada quando tudo ao seu redor veio abaixo".

O deão também vê milagre no fato de os muros terem aguentado e por todas as capelas e o deambulatório, assim como "todas as obras de arte de valor inestimável, estarem intactos".

O mesmo aconteceu com a cruz vitoriosa, o órgão, as rosáceas e a coroa de espinhos, que puderam ser retirados da catedral durante o incêndio.

 

Veja o vídeo abaixo, que trata dos milagres da Coroa de Espinhos de Jesus Cristo
(Vídeo em espanhol)

 

 


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Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019







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