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A Visão da Beata Ana Catarina Emmerich sobre o Purgatório
Em certa ocasião, a Beata Ana Catarina Emmerich relatou que lhe foi permitido ver o estado de várias almas que se encontravam em purificação após a morte. Ela descreveu que não via o Purgatório como um único lugar, mas como diversos estados ou regiões, onde as almas sofriam conforme a natureza de suas faltas. Segundo ela, as almas não estavam em desespero como os condenados. Pelo contrário, havia nelas uma profunda paz interior misturada a um sofrimento intenso, pois compreendiam perfeitamente a santidade de Deus e desejavam ardentemente unir-se a Ele. Elas não podiam ajudar a si mesmas, mas imploravam por: orações, penitências, e principalmente pela celebração da Santa Missa.
Ela afirmou ter visto que, quando orações eram oferecidas na Terra, certas almas recebiam grande alívio em seus sofrimentos. Em uma dessas visões, relatou:
“Vi muitas almas que sofriam e aguardavam auxílio. Quando as pessoas rezavam por elas, vi que lhes chegava um alívio sensível; algumas eram libertadas mais rapidamente de suas penas.”
Ela também afirmou que muitas almas estavam ali por faltas que no mundo pareciam pequenas, como negligência nas práticas religiosas ou falta de caridade para com o próximo. Algumas almas do Purgatório mostravam-lhe as causas de sua purificação: negligência nas orações; pequenas injustiças não reparadas; falta de caridade; tibieza (frieza) na vida espiritual.
Ela percebeu que pecados aparentemente pequenos na Terra se tornavam ali grande sofrimento, porque as almas agora compreendiam perfeitamente o que é a santidade de Deus.
Emmerich acrescentou ainda que: “As almas do Purgatório não podem ajudar a si mesmas, mas Deus permite que recebam auxílio das orações e boas obras dos vivos.”
Por isso é de suma importância a nossa ajuda para com elas. Somos chamados a ajudar as almas que estão em purificação, oferecendo por elas nossas orações, penitências, obras de caridade e, sobretudo, o Santo Sacrifício da Missa. Pois, Deus é absolutamente Santo. Por isso, nenhuma imperfeição pode permanecer na alma que entra no Céu. A Escritura afirma: “Nada de impuro entrará nela.” (Apocalipse 21, 27)
As almas passam pelo Purgatório porque mesmo quando Deus perdoa o pecado, é necessário reparação do dano ao qual cometemos. Exemplo simples: Um comerciante contou uma mentira para evitar um problema e acabou prejudicando outra pessoa. Mais tarde, arrependeu-se sinceramente e recebeu o perdão de Deus. Mesmo assim, se o mal causado pela mentira não foi reparado enquanto estava vivo, depois da morte, sua alma irá direto para o céu? Ela já se encontra totalmente santa perfeita nesse caso para estar na presença de Deus?
E a Justiça Divina como fica nesse caso?
E a justiça para com seu próximo, que ficou prejudicado, como fica? É lá que aquele ditado: "dar o famoso jeitinho brasileiro", não funciona. No entanto, é lá que a justiça de Deus é aplicada perante as faltas, embora havendo Misericórdia. Por isso, é devidamente necessário sempre repararmos os nossos pecados cometidos, enquanto estamos em caminhada.
Por isso que há almas passando pelo estado do Purgatório para serem purificadas antes de entrarem na presença de Deus. No Purgatório ocorre essa reparação devido ao dano que o pecado causou na via espiritual.
Disse o Senhor: “Em verdade te digo: não sairás dali enquanto não pagares o último centavo.” (Mateus 5, 26)
No Purgatório, a alma já está salva, já pertence a Deus, e caminha com certeza para o Céu. Por isso, o Purgatório não é condenação; é a ponte de reparação que meus pecados causaram perante a justiça Divina. É uma Via plena de santificação na alma, para que possa entrar totalmente santa, ou seja, pura, perfeita na presença de Deus.
O Senhor, que é infinitamente justo, também é infinitamente misericordioso. Ele não deseja a perda de nenhuma alma, mas a sua purificação e salvação. O Purgatório revela justamente esse amor: Deus não rejeita a alma que O amou, ainda que imperfeitamente; Ele a purifica para que possa participar plenamente de Sua santidade.
Referência:
[Clemens Brentano, que escreveu diariamente as visões da beata entre 1818–1824. Publicados em: The Life of Anne Catherine Emmerich]