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Por que as crianças devem ser batizadas?

 

Vamos aqui explicar por que as crianças devem ser batizadas, através de sete motivos.

 

1- PECADO ORIGINAL


Alguns argumentam que o batismo não poderia ser administrado a crianças pequenas porque nos casos em que não tenham chegado à idade da razão ’não teriam ainda pecados’ (pessoais). No entanto, desde o inicio, a Igreja nunca olhou dessa forma para o batismo. No batismo ocorre a remissão de todos os pecados, não só dos pecados pessoais cometidos antes do batismo, que as crianças antes da idade da razão não terão, mas também, e isto é muito importante, do pecado original. 
Como explica São Paulo: ‘Por um só homem entrou o pecado no mundo, e, com o pecado a morte, e assim a morte passou a todos os homens, pois nele todos pecaram’ (Rm 5, 12). O pecado original é um pecado «contraído» e não «cometido», um estado, não um ato. Assim, antes do batismo, as crianças mais pequenas, mesmo podendo não ter cometido pecados pessoais, carregam a mancha do pecado original, que é e deve ser purificado pelo batismo. 
Como o Catecismo explica sobre o batismo: ‘O fruto do batismo ou graça batismal é uma realidade rica que comporta: a remissão do pecado original e de todos os pecados pessoais; o nascimento para a vida nova, pelo qual o homem se torna filho adotivo do Pai, membro de Cristo, templo do Espírito Santo. Com isso mesmo, o batizado, é incorporado à Igreja, corpo de Cristo, e se torna participante do sacerdócio de Cristo.’

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2- CRISTO CHAMA TODOS AO BATISMO

Alguns dizem que quem ainda não chegou à idade da razão não pode receber o batismo porque não tem ainda fé consciente em Cristo. Mas nas Escrituras vemos como Jesus chama todos a si.  Jesus repreende os apóstolos que pretendiam impedir que as crianças O tocassem, dizendo: ‘Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas’ (Lc 18,15-16). Neste texto de Lc 18,15 a palavra criancinhas – no original grego transliterado brephe – significa ‘bebés, crianças de colo’ – ou seja, crianças que ainda não chegaram à idade da razão. Este facto não é impeditivo para Jesus, não as desqualifica para o Reino de Deus, pelo contrário, não só Jesus não lhes negao Reino de Deus como diz que o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas, com o seu amor puro e sincero. Se Jesus não as impediu de ir até Ele, porque nós as devíamos impedir?

 

3- É BÍBLICO

A Bíblia NUNCA diz algo como ‘as crianças não devem ser batizadas’. Pelo contrário no Novo Testamento vemos que era batizada ‘toda a família’ (At 16,15, 33; 1Cor 1,16), sendo que logicamente que entre as famílias que iam sendo batizadas seja altamente provável a presença de crianças pequenas. Se estas não pudessem ser batizadas, os apóstolos teriam referido isso, ou seja teriam explicitado que eram apenas batizados o casal e os filhos mais crescidos por exemplo, ou que eram todos batizados menos as crianças, no entanto essa excepção nunca é mencionada, o batismo era para ‘toda a família’. Na Bíblia nem uma só vez há qualquer menção a alguma criança de um lar cristão que tenha esperado ou que devesse esperar para ser batizada apenas após chegar à idade da razão.

Os filhos sempre participam da mesma promessa com os seus pais. Tal como no pacto que Deus fez com Abraão, também o pacto feito com Moisés no Sinai incluía as crianças: ’Vós estais hoje todos em presença do Senhor, vosso Deus, vossos chefes, vossas tribos, vossos anciãos, vossos oficiais, todos os homens de Israel, vossos filhos e vossas mulheres, o estrangeiro que mora no acampamento, desde o cortador de lenha até o carregador de água; estais todos para entrar na aliança do Senhor’ (Dt 29, 10-12). E na Nova Aliança não é diferente, a promessa é estendida a todos, novamente também aos filhos, como disse São Pedro: ’Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus’ (At 2, 38-39). As crianças nunca são excluídas das alianças de Deus, pelo contrário, estão sempre incluídas, participando delas com os seus pais.
 

Uma criança que nasça num lar cristão, participando assim da fé familiar e comunitária, sempre foi e deve ser batizada enquanto criança, sendo purificada do pecado original e passando desde cedo a pertencer a esta família de Deus a que chamamos Igreja, juntamente com a sua família.

 

4- SEMPRE FOI PRATICADO PELA IGREJA, DESDE OS APÓSTOLOS

Nos escritos dos primeiros séculos da Igreja, dos Pais da Igreja, facilmente percebemos como o batismo de crianças vem desde o princípio, desde os apóstolos. O testemunho de Orígenesde Alexandria (185 – 254 d.C.) é claro: ‘A Igreja recebeu dos Apóstolos o costume de administrar o batismo até mesmo para crianças’ e explica mesmo o porquê: ‘Se as crianças são batizadas para a remissão dos pecados cabe uma pergunta: de que pecados se tratam? (…) As manchas do nascimento (pecado original) são removidas pelo mistério do batismo. Se batiza crianças porque se alguém não nascer da água e do espírito, é impossível entrar no reino dos céus’. Também Santo Irineu de Lyon (130-202 d.C) dá testemunho do renascimento pelo batismo também em crianças: ‘Porque Ele veio para salvar a todos: digo a todos, ou seja, todos aqueles renasceram a Deus sejam eles bebés, crianças, adolescentes, jovens ou adultos’. Igualmente Hipólito de Roma (170-235 d.C) escreveu: ‘Batizarão as crianças em primeiro lugar. Todos os que puderem falar por si mesmos, falarão. Enquanto aos que não podem, seus pais falarão por eles ou alguém de sua família’. Estes são, entre muitos outros (ver mais aqui), alguns dos testemunhos primitivos do batismo de crianças que demonstram como sempre foi praticado pela Igreja, tendo mesmo sido ensinado pelos próprios apóstolos.

No ano 252 d.C. no Concílio de Cartago o batismo infantil não era alvo de qualquer contestação. Pelo contrário… neste concílio foi discutido se uma criança podia ser batizada antes do oitavo dia após o seu nascimento. Parece que era costume batizar as crianças ao oitavo dia, imitando desse modo o tempo marcado para a circuncisão, na Antiga Aliança. O concilio (mais de 60 bispos) decidiu, por unanimidade, que as crianças podem ser batizadas mesmo antes do oitavo dia… o batismo de crianças estava longe de ser contestado, era a norma.

Mesmo hoje o batismo infantil não é praticado apenas pela Santa Igreja Católica, como sempre foi desde os apóstolos. Mesmo na Igreja Ortodoxa, que surgiu no séc. XI, ou mesmo nas denominações protestantes históricas, criadas no séc. XVI e seguintes (como os luteranos, anglicanos, presbiterianos, entre outros), também é uma prática comum, aceite e incontestável. São sobretudo algumas seitas protestantes mais recentes (criadas sobretudo no último século) e fundamentalistas quem faz oposição ao batismo de crianças, muitas como forma de se diferenciarem e atacarem a Igreja Católica, sendo parte uma série de ‘argumentos’ falaciosos e sem qualquer fundamento, que muitas vezes fazem uso da manipulação de versículos bíblicos, criados para atrair alguns cristãos mais mal informadossobre este e outros assuntos.

 

5- É A NOVA CIRCUNCISÃO

São Paulo refere-se ao batismo como ‘a circuncisão de Cristo’ (cf. Cl 2,11-12), ou seja, a circuncisão da Nova Aliança. O batismo substituiu assim a circuncisão da Antiga Aliança, como rito da entrada para o povo escolhido de Deus. Ora se na Antiga Aliança o próprio Deusordenou a Abraão que fossem circuncidados os meninos já no 8.º dia depois do nascimento (tal como aconteceu a Jesus), sem exigir deles o estar na idade da razão e ter uma fé adulta, então seria ilógico recusar o batismo às crianças com base num argumento como esse. Tal como na circuncisão da Antiga Aliança não era exigido que a criança estivesse na idade da razão, o mesmo também não é exigido com o baptismo cristão na Nova Aliança. Por vezes também é levantada a questão ‘Porque Jesus não foi batizado em criança?’, na verdade a resposta é bastante simples pois a pergunta não faz sentido: Quando Jesus era criança ainda não tinha sido instituído o Baptismo.

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6- É UMA GRAÇA INESTIMÁVEL

Jesus disse: ‘Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.’ Jo 3, 5. Novamente aqui Jesus também não exclui as crianças da possibilidade de renascer da água e do Espírito, o batismo é para todos. E também por aqui vemos o enorme valor do batismo, que nos permite tornar membros de Cristo. Como graça inestimável que é, de pura gratuitidade, para todos, não batizar as crianças seria privá-las desta enorme graça de desde cedo pertencer ao Corpo de Cristo pelo batismo. Se temos fé em Jesus e acreditamos no batismo sabemos que essa é a maior graça que alguém pode receber, assim porque não quereríamos isso para as crianças, por acaso não queremos o melhor para elas? Mesmo quando as crianças também não conseguem por si mesmas decidir comer, entre outras coisas, não sabemos que é o melhor para elas e é nosso dever alimentá-las e cuidá-las? Assim também acontece com o batismo, ele deve ser oferecido às crianças porque sabemos que é o melhor para elas, porque não as poderíamosprivar desta enorme graça.

 

7- CONFIANÇA NO ESPÍRITO SANTO

Por fim achar que não devemos batizar as crianças, porque ‘depois podem decidir não ser cristãs’, representa uma falta de confiança no Espírito Santo, como já afirmou o Papa Francisco, e também por vezes reflecte a falta de vontade ou pretensão de sustentar a sua fé e vida cristã. Quando a criança recebe o batismo, recebe também o Espírito Santo, e não devemos menosprezar isso mesmo e deixar de confiar no poder que o Espírito Santo terá na vida de todo aquele que recebe o batismo. Com o batismo a missão do Espírito Santo para a pessoa que o recebe começa logo sendo realizada, mesmo no caso de ser uma pequena criança, pois ela está desde logo unida ao Espírito Santo, bem como a Jesus Cristo e ao Pai celeste.
Como cristãos temos que ter confiança que essa ajuda pode ser decisiva para a vida de fé da pessoa que recebe o batismo, de outra forma, mesmo no caso dos adultos, se aplicássemos essa lógica de não batizar porque ‘mais tarde podem decidir não ser cristãos’, então o batismo não poderia ser administrado a ninguém, pois por vezes mesmo aqueles que são batizados em adultos infelizmente deixam a fé e a Igreja como sabemos, por isso essa lógica não tem sentido. Em relação aqueles que, quer tenham sido batizados em criança ou em adultos, possam depois ter deixado a fé cristã, devemos rezar para que voltem à fé cristã e para que a graça do batismo possa ser uma ajuda decisiva a esse retorno. Nunca podemos é menosprezar a ação do Espírito Santo na vida de cada batizado e deixar de batizar as crianças com esse receio. Devemos antes confiar no Espírito Santo e lutar, como famílias e como comunidade, por sustentar e fazer crescer a fé das crianças nascidas em lares cristãos, que se juntam à família de Deus pelo batismo.

 

OUTRAS QUESTÕES: MAS A FÉ NÃO DEVE SER ACOLHIDA LIVREMENTE?

Sim, claro, mas um simples olhar para a realidade indica que o batismo não impede isso: a pessoa continua sendo livre para aceitar ou rejeitar a fé. A entrada para a vida cristã não é nenhuma servidão, mas a entrada para a verdadeira liberdade. 

Aliás o mesmo se aplica tanto às crianças como aos adultos. Imaginemos o caso de uma pessoa que se tenha convertido ao cristianismo e seja batizado adulto: essa pessoa depois do batismo continuará a ter que fazer escolhas, o batismo não é algo que a ‘obriga’ a manter a fé cristã para sempre, pelo contrário essa pessoa terá que livremente alimentar a sua fé ao longo de toda a sua vida, tal como acontecerá com a criança batizada e todos os batizados, pois a aceitação da fé é algo que acontece de forma livre e contínua até ao fim da vida, a que ninguém é obrigado. A criança, tal como o adulto batizado, poderá a qualquer momento da sua vida recusar a fé cristã.

A Instrução sobre o batismo das crianças – Pastoralis actio explica que: ’Poderá acontecer, certamente, que a criança, chegando à idade adulta, se recuse a observar os deveres que derivam do seu Baptismo. Os pais, à parte o sofrimento que possam sentir com isso, não devem arrepender-se de ter mandado batizar os próprios filhos e de lhes ter dado uma educação cristã, como era seu direito e seu dever. Com efeito, não obstante as aparências, os germes da fé depositados na sua alma poderão um dia revivescer, para o que os mesmos pais contribuirão com a sua paciência, o seu amor, a sua oração e o seu testemunho autêntico da própria fé’.

O QUE DIZ O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA?

‘Nascidas com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, as crianças também têm necessidade do novo nascimento no Baptismo para serem libertas do poder das trevas e transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus, a que todos os homens são chamados. A pura gratuidade da graça da salvação é particularmente manifesta no Baptismo das crianças. Por isso, a Igreja e os pais privariam, a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o Baptismo pouco depois do seu nascimento.
Os pais cristãos reconhecerão que esta prática corresponde, também, ao seu papel de sustentar a vida que Deus lhes confiou.
A prática de batizar as crianças é tradição imemorial da Igreja. Explicitamente atestada desde o século II, é no entanto bem possível que, desde o princípio da pregação apostólica, quando «casas» inteiras receberam o Baptismo se tenham baptizado também as crianças.’

 

 

Fonte: https://aluzdoshomens.wordpress.com/2018/07/28/porque-as-criancas-devem-ser-batizadas/?fbclid=IwAR0eobLVxHCLPD2bB9pT7vUTxUUGu2jXgm4G0X4GtLmcZMqH4tIttCUf-ws

 


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Domingo, 18 de Novembro de 2018





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