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Mosteiro Muhraqa: o local do desafio de Elias aos profetas de Baal

O local onde o Profeta Elias provou que existe um só Deus

17 E sucedeu que, vendo Acabe a Elias, disse-lhe: És tu o perturbador de Israel? 18 Então disse ele: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do Senhor, e seguistes a Baalim. 19 Agora, pois, manda reunir-se a mim todo o Israel no monte Carmelo; como também os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal, e os quatrocentos profetas de Astarte, que comem da mesa de Jezabel. 20 Então Acabe convocou todos os filhos de Israel; e reuniu os profetas no monte Carmelo21 Então Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu. 22 Então disse Elias ao povo: Só eu fiquei por profeta do Senhor, e os profetas de Baal são quatrocentos e cinqüenta homens. 23 Dêem-se-nos, pois, dois bezerros, e eles escolham para si um dos bezerros, e o dividam em pedaços, e o ponham sobre a lenha, porém não lhe coloquem fogo, e eu prepararei o outro bezerro, e o porei sobre a lenha, e não lhe colocarei fogo. 24 Então invocai o nome do vosso deus, e eu invocarei o nome do Senhor; e há de ser que o deus que responder por meio de fogo esse será Deus. E todo o povo respondeu, dizendo: É boa esta palavra. 25 E disse Elias aos profetas de Baal: Escolhei para vós um dos bezerros, e preparai-o primeiro, porque sois muitos, e invocai o nome do vosso deus, e não lhe ponhais fogo. 26 E tomaram o bezerro que lhes dera, e o prepararam; e invocaram o nome de Baal, desde a manhã até ao meio-dia, dizendo: Ah! Baal, responde-nos! Porém nem havia voz, nem quem respondesse; e saltavam sobre o altar que tinham feito. 27 E sucedeu que ao meio-dia Elias zombava deles e dizia: Clamai em altas vozes, porque ele é um deus; pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; talvez esteja dormindo, e despertará. 28 E eles clamavam em altas vozes, e se retalhavam com facas e com lancetas, conforme ao seu costume, até derramarem sangue sobre si. 29 E sucedeu que, passado o meio-dia, profetizaram eles, até a hora de se oferecer o sacrifício da tarde; porém não houve voz, nem resposta, nem atenção alguma. 30 Então Elias disse a todo o povo: Chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a ele; e restaurou o altar do Senhor, que estava quebrado. 31 E Elias tomou doze pedras, conforme o número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual veio a palavra do Senhor, dizendo: Israel será o teu nome. 32 E com aquelas pedras edificou o altar em nome do Senhor; depois fez um rego em redor do altar, segundo a largura de duas medidas de semente. 33 Então armou a lenha, e dividiu o bezerro em pedaços, e o pôs sobre a lenha. 34 E disse: Enchei de água quatro cântaros, e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha. E disse: Fazei-o segunda vez; e o fizeram segunda vez. Disse ainda: Fazei-o terceira vez; e o fizeram terceira vez; 35 De maneira que a água corria ao redor do altar; e até o rego ele encheu de água. 36 Sucedeu que, no momento de ser oferecido o sacrifício da tarde, o profeta Elias se aproximou, e disse: Ó Senhor Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme à tua palavra fiz todas estas coisas. 37 Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo conheça que tu és o Senhor Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração. 38 Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego. 39 O que vendo todo o povo, caíram sobre os seus rostos, e disseram: Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus! 40 E Elias lhes disse: Lançai mão dos profetas de Baal, que nenhum deles escape. E lançaram mão deles; e Elias os fez descer ao ribeiro de Quisom, e ali os matou. (I Reis 18, 17-40)

 

O Monte Carmelo é uma cadeia de montanhas, de rocha calcária, que se separa do sistema montanhoso da Samaria, prolongando-se até o Mediterrâneo e terminando num promontório sobre a cidade de Haifa (Israel). Tem o comprimento de 25 km e uma largura que varia entre os dez e os quinze, e uma altitude média de 500 m. O nome deriva da palavra kerem que significa horto, vinha ou jardim com a característica de serem muito belos. Esta qualificação ajusta-se à realidade: nesta cadeia brotam muitas fontes pelo que nos montes e barrancos cresce uma flora rica e variada, tipicamente mediterrânica: loureiros, murta, carvalhos, tamarindos, cedros, pinheiros, alfarrobeiras, lentiscos…

Jardins do Carmelo. Jardins do Carmelo.

Esta fertilidade foi sempre proverbial e nos vários livros do Antigo Testamento aparece como o símbolo da prosperidade de Israel ou também da sua desgraça, em caso de aflição: “O Senhor rugirá de Sião, trovejará de Jerusalém, os prados dos pastores estarão de luto, o cume do Carmelo secará” (Am 1, 2. Cfr. Is 33, 9 y 35, 2; Jr 50, 19; y Na 1, 4). Existem também numerosas cavernas – mais de mil – particularmente a oeste, com abertura estreita mas muito amplas.

A história do Carmelo está intimamente ligada ao profeta Elias que viveu no séc. IX a.C. Segundo a tradição recolhida pelos Santos Padres e por outros escritores da antiguidade, mantinha-se viva em vários locais a memória da sua presença: uma gruta na ladeira norte, no cabo de Haifa, onde viveu primeiro ele e depois Eliseu; perto dali, o local onde se reuniam com os seus discípulos, chamado pelos cristãos 'Escola de Profetas' e em árabe El Hader, na mesma zona, a oeste uma nascente conhecida como a fonte de Elias que ele mesmo teria feito brotar da rocha e a sudeste do maciço, o cume de EL-Muhraqa,  e a torrente do Qison (rio Kishon) onde foram mortos os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal, e que corre perto deste ponto. Por intermédio da oração de Elias, Deus fez descer fogo do céu e deste modo o povo abandonou a idolatria, segundo relata o primeiro livro dos Reis (Cfr. 1 Re 18, 19-40).

Imagem do profeta Elias que se encontra no exterior do Mosteiro de El-Muhraqa.Imagem do profeta Elias que se encontra no exterior do Mosteiro de El-Muhraqa.

 

Para norte a vista da baía de Haifa é magnífica e em dias límpidos pode avistar-se Acre seguindo a linha do litoral.

 

Vista a partir do Mosteiro.Vista a partir do Mosteiro.

Do local podemos avistar o vale de Jezreel, a cidade de Haifa, a colina Meggido e o Vale do Armageddon. 

 

 

Mosteiro Muhraqa (O sacrifício)

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Há dois mosteiros da Ordem do Carmo no local: o El-Muhraqa e o Mosteiro Stella Maris. Os carmelitas têm um pequeno mosteiro no local do sacrifício de Elias, "El-Muhraqad", a cerca de trinta quilômetros de Haifa. A Bíblia descreve como, depois do sacrifício, o servo de Elias viu uma nuvem do topo da montanha que trouxe chuva e interrompeu a longa seca. Os carmelitas veem na nuvem um símbolo da bem-aventurada Virgem Maria, de onde surge sua devoção simultânea a Elias e à Virgem.

El Muhraqa 

Muhraqa, termo em árabe que significa “sacrifício”. Uma região no Monte Carmelo que demarca, segundo a tradição, a vida do profeta Elias, sobretudo no episódio descrito no capítulo 18 do primeiro livro dos Reis, quando Elias desafiou os 450 falsos profetas de Baal. Fontes judaicas medievais dão testemunho da veneração do lugar por judeus e muçulmanos. Um local santo que evoca a profunda pergunta de Elias: “Até quando andareis mancando de um lado e de outro? Se o Senhor é o verdadeiro Deus, segui-o; mas, se é Baal, segui a ele” (1Rs 18,21).

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“É um lugar de encontro das três religiões. Num país de tantas tensões, temos a sutileza de ter esse clima, de sentir essa paz muito bela. Aqui é um lugar de oração, onde se pode encontrar o Deus Único e onde precisamos nos posicionar e não oscilar: ou estamos com Deus ou contra Deus. Esta é a mensagem forte do profeta Elias.” (Fr. Julio Almansa, ocd)

O Mosteiro de Muhraqa, sob a guarda dos carmelitas descalços desde 1846, está a 480 metros acima do nível do mar, no Vale de Esdrelon ou de Jezreel. Em seu pátio, uma grande estátua do profeta Elias. Nas laterais e saída da capela, em árabe e hebraico, o texto bíblico de Elias com os profetas de Baal. O sacrário se remete à narrativa em que Elias foi consolado por um anjo. O altar, composto por 12 pedras, faz memória aos versículos em que Elias construiu o altar do Senhor: “Tomou doze pedras, segundo o número das doze tribos saídas dos filhos de Jacó, a quem o Senhor dissera: Tu te chamarás Israel ” (1Rs 18,31).

 “É um local bíblico, um lugar santo primeiramente para os judeus. Mas também, na época bizantina, neste lugar, quando os eremitas bizantinos, em torno do ano 1200, vinham acender suas velas, há testemunhos de encontro de um lugar com 12 pedras, com uma cisterna, que foi considerado o altar de Elias.” (Fr. Julio Almansa, ocd)

Um santuário que leva à contemplação, inclusive no admirável panorama que abraça o Mediterrâneo e a Galileia. Elias, cuja missão era restaurar a aliança entre Deus e o povo de Israel, é protagonista de cenas marcantes das escrituras, como, por exemplo, quando foi levado aos céus num carro de fogo. Entretanto, também no Monte Carmelo, experimentou o Senhor na brisa suave. O inspirador da ordem carmelitana é considerado o “Pai dos contemplativos”.

 “É importante notar que, por outro lado, como o profeta Elias, pela sua bondade, foi se nutrindo de Deus e, ao final, descobre que Deus se faz presente nas pequenas coisas. Para nós carmelitas, esta brisa suave é símbolo da contemplação.” (Fr. Julio Almansa, ocd)

 

 

Esq: Vista do alto de El-Muhraqa ( em cima). As ruínas que se acharam em Wadi es-Siah remontam aos séc. XII e XVII (embaixo). Dir: Santuário Carmelita do sacrifício de Elias.Esq: Vista do alto de El-Muhraqa ( em cima). As ruínas que se acharam em Wadi es-Siah remontam aos séc. XII e XVII (embaixo). Dir: Santuário Carmelita do sacrifício de Elias. Mosteiro El Muhraqa (O sacrifício).Mosteiro El Muhraqa (O sacrifício).

Interior da capela do Mosteiro El-Muhraqa.Interior da capela do Mosteiro El-Muhraqa.

 Jardins do Mosteiro El Muhraqa. Jardins do Mosteiro El Muhraqa.

Jardins do Mosteiro El Muhraqa. Jardins do Mosteiro El Muhraqa. Jardins do Mosteiro El Muhraqa. Jardins do Mosteiro El Muhraqa.

 

A Ordem do Carmelo

Os Carmelitas são um grupo de religiosos da Igreja Católica que derivam seu nome do Monte Carmelo, onde sua Ordem teve origem. No final do século XII, vários cruzados se estabeleceram nas encostas ocidentais do Monte Carmelo, desejosos de imitar Elias, o Profeta, vivendo uma vida eremítica nas grutas da montanha. Em algum momento entre 1206 e 1214, o Prior St. Brocard solicitou uma regra de vida escrita ao Patriarca de Jerusalém, St. Albert. Esse ato os incorporou à diocese de Jerusalém e iniciou a história do que se tornaria a Ordem Carmelita.

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Os eremitas que mais tarde adotaram o nome de Carmelitas então construíram uma capela para eles em Wadi es-Sia. O local foi escavado pelo pe. Bagatti O. F. M. e a capela original foi trazida à luz. Em 1254, São Luís conduziu seis carmelitas com ele do Monte Carmelo para a França, no final de sua primeira cruzada. A partir de 1238, os carmelitas começaram a fundar mosteiros na Europa, mas quando São João do Acre caiu em 1291, eles tiveram que abandonar a Terra Santa. Em 1631, o Venerável Pe. Prosper voltou ao Monte Carmelo para restaurar o berço da Ordem em nome dos Carmelitas Descalços. Ele construiu um pequeno mosteiro no promontório perto do farol, onde os carmelitas viveram até 1767. Eles foram então ordenados por Daher el-Omar a deixar o local e demolir seu mosteiro.

Os carmelitas se mudaram para o local atual, onde construíram uma grande igreja e mosteiro sobre uma gruta na qual Elias teria vivido. Para fazer isso, eles tiveram que limpar o local das ruínas de uma igreja medieval dos gregos, conhecida como "a Abadia de Santa Margarida", bem como de uma capela antiga, provavelmente voltando aos tempos bizantinos. A campanha de Napoleão (1799) levou a nova igreja dos Carmelitas a ser seriamente danificada. Soldados franceses doentes e feridos haviam sido colocados no mosteiro. Quando Napoleão recuou, eles foram massacrados pelos turcos e os religiosos foram expulsos. Quando eles voltaram, deram aos mortos um enterro honroso em seu jardim e elevaram sobre a tumba um monumento à memória deles sob a forma de uma pirâmide. Os marinheiros do "Château-Renaud" forjaram uma cruz de ferro que foi colocada no topo da pirâmide. Em 1821, Abdallah Pasha do Acre ordenou que a igreja em ruínas fosse totalmente destruída. Bro Casini comprometeu-se a construir uma nova igreja e mosteiro, a qual foi inaugurada em 1836. Três anos depois, o papa Gregório XVI concedeu ao novo santuário o título de Basílica Menor. Agora ele se chama "Stella Maris".

 

Mosteiro Stella Maris

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A cabeça da bela estátua de Nossa Senhora do Monte Carmelo, acima do altar-mor, é obra de Caraventa de Gênova (1820). Foi coroada no Vaticano, na presença do Papa Pio VII em 1823. Cerca de cem anos depois, um corpo foi esculpido em madeira de Cedro do Líbano por Riedi e a estátua abençoada pelo Papa Pio XI antes de ser enviada de volta à Terra Santa. 

Entrada do Mosteiro Stella Maris.Entrada do Mosteiro Stella Maris.

 

Entra-se na igreja pela fachada oeste: o espaço ao centro é octogonal e está coberto por uma cúpula decorada com cenas de Elias e de outros profetas, a Sagrada Família, os Evangelistas e alguns santos carmelitas. As pinturas foram feitas em 1928.

Cúpula do Mosteiro Stella Maris.Cúpula do Mosteiro Stella Maris. n/d

As pinturas na cúpula foram executadas pelo irmão Luigi Poggi (1924 - 1928), irmão leigo do mosteiro. Elas mostram Elias elevado em sua carruagem de fogo, o rei Davi tocando sua harpa, os santos da ordem, os profetas Isaías, Ezequiel, Daniel e a Sagrada Família. Abaixo deles estão os quatro evangelistas. A base da cúpula contém dois textos da Missa de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Os vitrais retratam Elias no deserto e sua Elevação em uma carruagem de fogo.

n/d Abaixo do altar, a gruta do profeta Elias. Abaixo do altar, a gruta do profeta Elias.

Gruta onde morou o profeta Elias.Gruta onde morou o profeta Elias.

Também é dessa época o revestimento do templo em mármore, terminado em 1931. O ponto central é o presbitério: por trás do altar, num nicho, encontramos uma imagem de Nossa Senhora do Carmo e, por debaixo, a cova onde, segundo a tradição, habitou Elias. É um espaço de aproximadamente três por cinco metros, separado da nave por duas colunas de pórfiro (rocha vulcânica antiga) e uns degraus, ao fundo está um altar e uma imagem do profeta.

Localização do Mosteiro Stella Maris.Localização do Mosteiro Stella Maris.

 

 

Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

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Ao longo dos séculos, a Ordem do Carmo dotou a cristandade inúmeros tesouros espirituais: basta pensar nas vidas exemplares e nos ensinamentos de Santa Teresa de Ávila, São João da Cruz ou de Santa Teresa de Lisieux, os três Doutores da Igreja. Entre essas riquezas, destaca-se o costume do escapulário que São Josemaria viveu e difundiu “Traz sobre o teu peito o santo escapulário do Carmo. - Poucas devoções (há muitas e muito boas devoções marianas) estão tão arraigadas entre os fiéis e têm tantas bênçãos dos Pontífices. Além disso, é tão maternal este privilégio sabatino!” (Caminho, n. 500).

A palavra escapulário vem do latim, escápula, que significa armadura, proteção. O escapulário assegura a quem o usa com piedade duas prerrogativas: ajuda para perseverar no bem até ao momento da morte e a libertação das penas do purgatório. Esta devoção começou em 1251, durante um momento de especial perseguição da Ordem que dava os seus primeiros passos na Europa. Segundo uma redação antiga do Catálogo dos santos carmelitas, na qual se funda este relato, um certo São Simão – identificado mais tarde como São Simão Stock, prior geral inglês – recorria insistentemente a Nossa Senhora com a seguinte súplica:

Flos Carmeli / Flor do Carmelo; vitis florigera / vide florida; splendor coeli / esplendor do céu; Virgo puerpera / Virgem fecunda; singularis / e singular; Mater mitis / oh doce Mãe; sed viri nescia / que não conheceu varão; Carmelitis / aos Carmelitas; da privilegia / concede privilégios; Stella Maris / Estrela do mar.

Em resposta à sua oração, a Virgem apareceu-lhe trazendo na mão o escapulário e disse-lhe: este é um privilégio para ti e todos os teus: quem morrer usando-o, salvar-se-á. Uma redação mais longa afirma: aquele que morrer usando-o, não irá para o inferno, salvar-se-á. O escapulário formava então parte do hábito religioso, ainda que a sua origem tenha sido uma roupa de trabalho que os servos e os artesãos usavam. Consistia numa tira de pano com uma abertura para colocar a cabeça que se sobrepunha sobre a túnica, e caía sobre o peito e as costas.

Privilégio sabatino

A segunda prerrogativa, conhecida como 'privilégio sabatino', procede de uma tradição medieval: A Sé Apostólica estabeleceu em 1613, através de um decreto, que o povo cristão pode acreditar piedosamente na ajuda da Santíssima Virgem às almas dos frades e confrades da Ordem do Carmo que falecerem na graça de Deus, usando o escapulário, vivendo a castidade de acordo com o seu estado e rezando o Ofício Breve ou – se não sabem ler – guardarem os jejuns e abstinências determinados pela Igreja, e que Nossa Senhora atuará com a sua proteção especialmente no sábado, dia especialmente dedicado pela Igreja à Mãe de Deus.

Uma das promessas de Nossa Senhora do Carmo a São Simão Stock se refere ao "privilégio sabatino", consiste que aquele que morrer usando o escapulário, sairá do Purgatório no primeiro sábado após sua morte. Este privilégio foi confirmado pela Bula "Sacratissimo uti culmine" do Papa João XXII, que tem também o relato de uma visão sua sobre este privilégio.

Ao mesmo tempo que a Ordem do Carmo se ia desenvolvendo – especialmente nos séc. XVI e XVII, graças a várias reformas – também se multiplicaram as confrarias. Atraiam muitos fiéis que, sem abraçarem a vida religiosa, participavam da devoção a Nossa Senhora difundida pela espiritualidade carmelita. Manifestavam-no vestindo o escapulário que foi se simplificando na sua forma até se converter em dois quadrados de tecido unidos por fitas para usá-lo ao pescoço.

A Sé Apostólica interveio, em numerosas ocasiões, para fomentar este costume, unindo-lhe a faculdade de ganhar indulgências e fixando algumas questões práticas: a cerimônia de imposição, que basta receber-se uma vez apenas, pode ser realizada por qualquer sacerdote; a bênção de um novo escapulário para substituir outro já gasto ou a possibilidade de substituir o tecido por uma medalha com as imagens do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora.

“O ESCAPULÁRIO CONVERTE-SE EM SÍMBOLO DE “ALIANÇA” E DE COMUNHÃO RECÍPROCA ENTRE MARIA E OS FIÉIS”

Há alguns anos, na celebração do 750º aniversário da entrega do escapulário – a aparição a São Simão Stock - o Papa João Paulo II, que o usava desde jovem , resumiu assim o seu valor “Duas são, portanto, as verdades evocadas no símbolo do Escapulário: de um lado a proteção contínua da Santíssima Virgem, não só ao longo do caminho da vida, mas também no momento da passagem para a plenitude da glória eterna; de outro lado, consciência de que a devoção a Ela não pode limitar-se a orações e obséquios em sua honra em algumas circunstâncias, mas que deve constituir um “hábito”. Isto quer dizer: uma textura permanente da própria conduta cristã, tecida de oração e de vida interior, mediante a prática frequente dos Sacramentos e o exercício concreto das obras de misericórdia espirituais e corporais. Deste modo, o escapulário converte-se em símbolo de “aliança” e de comunhão recíproca entre Maria e os fiéis: de fato, traduz de modo concreto a entrega que Jesus, do alto da cruz, fez a João, e nele a todos nós, de sua Mãe; e a entrega do apóstolo predileto e de nós a Ela, constituída como Mãe espiritual” (João Paulo II, Mensagem à Ordem do Carmo por ocasião da dedicação do ano de 2001 a Maria, 25-III-2001).

Estas ideias estão contidas nas palavras que o celebrante pronuncia na bênção do escapulário: "[Deus], olhai com benevolência para estes vossos servos que receberam com devoção o Escapulário do Carmo e vão usar diligentemente como sinal de consagração a Nossa Senhora do Carmo. Fazei que sejam imagem de Cristo, vosso Filho, e, terminada a sua passagem por esta vida, com a ajuda da Virgem Mãe de Deus, sejam admitidos na alegria da vossa morada celeste" (De benedictionibus, n. 1218).

Ao falar da intimidade com Deus, São Josemaria animava-nos com frequência a sermos crianças, a reconhecer que necessitamos sempre da ajuda da graça. E também nos ensinou a percorrer este caminho pelas mãos de Nossa Senhora:

“Porque Maria é Mãe, sua devoção nos ensina a ser filhos: a amar deveras, sem medida; a ser simples, sem essas complicações que nascem do egoísmo de pensarmos só em nós; a estar alegres, sabendo que nada pode destruir a nossa esperança. O princípio do caminho que leva à loucura do amor de Deus é um amor confiado por Maria Santíssima. Assim o escrevi há muitos anos, no prólogo a uns comentários ao Santo Rosário, e desde então voltei a comprovar muitas vezes a verdade dessas palavras. Não vou tecer aqui muitas considerações para comentar essa ideia: prefiro, antes, convidar cada um a fazer a experiência, a descobri-lo por si mesmo, procurando manter uma relação amorosa com Maria, abrindo-lhe o coração, confiando-lhe suas alegrias e penas, pedindo-lhe que o ajude a conhecer e a seguir Jesus." (É Cristo que passa, n. 143).

 

Fontes:
http://revistaterrasanta.com.br/2018/10/12/mosteiro-muhraqa-o-local-do-desafio-de-elias-com-os-profetas-de-baal/
http://www.carmelholylanddco.org/wp-content/uploads/2016/11/english.pdf
https://opusdei.org/pt-br/article/monte-carmelo-santuario-de-stella-maris/
https://guia.melhoresdestinos.com.br/mosteiro-stella-maris-163-4182-l.html

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Quinta-feira, 06 de Agosto de 2020







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