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‘Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á’. (João 15, 6)


Desespero dos réprobos no inferno (Por Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja)

 

'Mortuo homine ímpio, nulla erit ultra spes – Morto o homem ímpio, não restará mais esperança alguma'. (Prov. 11, 7)

 

Enquanto o pecador vive, há sempre esperança de conversão; mas quando a morte o arrebatou no estado de pecado, não lhe resta mais esperança alguma e verá sempre diante dos olhos a sentença de sua condenação. Sim, porque o inferno tem uma porta de entrada, mas não de saída. O que o réprobo começa a sofrer no primeiro dia de sua entrada, terá de sofrê-lo sempre. Qual não seria, pois, o nosso desespero, se por desgraça nos viessemos a condenar!... Ó Pai Eterno, pelo amor de Jesus Cristo, castiga-me como quiseres, mas poupa-me na eternidade.

n/d Quem entra uma vez no inferno, nunca mais dele sairá. Este pensamento fazia Davi exclamar tremendo: 'Ó Senhor, não me afogue a tempestade, nem me absorva o mar profundo, nem cerre o poço a sua boca sobre mim.' Mal cai um réprobo neste poço de tormentos, logo se fecha a entrada e não se abre mais. O inferno tem uma porta de entrada, mas não de saída, diz Eusebio Emisseno: Descensus erit, ascensus non erit. Eis como ele explica as palavras do Salmista: Não cerre o poço a sua boca sobre mim: Enquanto vivo, pode o pecador ter esperança de conversão, mas se a morte o surpreender no estado de pecado, perde-la-á para sempre: Morto o homem ímpio, não restará mais esperança alguma.

Se os condenados pudessem ao menos embalar-se em alguma falsa esperança e assim achar algum alívio na sua desesperação!  O homem enfermo mortalmente e estendido no leito, apesar de desenganado pelos médicos, ainda busca iludir-se e consolar-se dizendo: ‘Quem sabe se ainda não se encontra um médico que me possa curar?’ Um criminoso condenado às galés perpétuas acha também consolação neste pensamento: ‘Quem sabe se algum acontecimento não me tirará destas cadeias?' Se o réprobo pudesse ao menos dizer igualmente: ‘Quem sabe se um dia não sairei desta prisão?’ e assim iludir-se com alguma falsa esperança. Mas não: no inferno não há esperança, nem verdadeira nem falsa; não há o quem sabe.

‘Statuam contra faciem – Eu t’o porei diante de tua face’. O desgraçado réprobo terá incessantemente diante da vista a sentença que o condena a gemer eternamente nesse abismo de sofrimentos. O condenado não sofre somente a pena de cada instante, mas sofre a cada instante a pena da eternidade, vendo-se obrigado a dizer: o que sofro atualmente, sofrerei-o sempre. Pondus aeternitatis sustinent, diz Tertuliano: os réprobos gemem sob o peso da eternidade.

Dirijamos ao Senhor a súplica que lhe fazia Santo Agostinho: ‘Meu Deus, queimai e cortai aqui; não me poupeis, afim de que possais perdoar-me na eternidade.’ As penas da vida presente são passageiras: Sagittae tuae transeunte; mas os castigos da outra vida nunca têm fim. Temamo-os, pois, temamos esse trovão: Vox tonitrui tui in rota; esse trovão da condenação eterna, que, no dia do juízo, sairá contra os réprobos da boca do divino Juiz: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno. Diz-se: in rota porque a roda é a imagem da eternidade, que não tem fim. Será grande o suplício do inferno, mas o que mais nos deve assustar é ser o castigo irrevogável.

Ó meu Redentor, se eu atualmente estivesse condenado, como mereci tantas vezes, não haveria para mim esperança de perdão. Ah, Senhor, agradeço-vos o tempo e as luzes que ainda me concedeis e prometo mudar de vida. Como? Esperarei porventura que me mandeis ao inferno? Eis-me aqui prostrado aos vossos pés; recebei-me na vossa graça. Outrora fugia de Vós, mas agora estimo a vossa amizade mais do que a posse de todos os reinos da terra. Não quero mais resistir aos vossos convites. Vós me quereis todo para Vós; todo inteiro me consagro a Vós. Sobre a cruz Vos destes todo a mim, eu me dou todo a Vós.

Prometestes: Si quid petieritis me in nomine meo, hoc faciam – Se me pedires alguma coisa no meu nome, fa-lo-ei’. Ó meu Jesus, confiado na vossa bela promessa, no vosso nome e pelos vossos merecimentos peço-Vos a vossa graça e o vosso amor. Fazei que na minha alma reine a vossa graça e o vosso santo amor, assim como nela reinou o pecado. Graças Vos dou por me terdes animado a fazer-Vos este pedido; pois isto me afiança que serei atendido. Atendei-me, ó meu Jesus, e dai-me um grande desejo de Vos agradar e a força para o executar.

- Ó minha poderosa Advogada, Maria, atendei-me também vós, e rogai a Jesus por mim.

 

Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório – Tomo III

 

Extraído de: https://onedrive.live.com/?cid=C66F182E3FF9E7AA&id=C66F182E3FF9E7AA%21240&parId=C66F182E3FF9E7AA%211121&o=OneUp   via   http://alexandriacatolica.blogspot.com/2011/03/fonte-meditacoes-para-todos-os-dias-e.html

 

 

 

 

 

 


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